“Mãe emigrada não tem plano B”

Alô! Chamo-me Cris Loureiro (www.crisloureiroblogs.com) e hoje sou eu quem faço as honras da casa aqui no Cantinho da nossa querida Tily.

foto da autoria da C.Loureiro

Tanto a Matilde quanto eu, somos mães a viver o auge da maternidade aos quarenta, longe do nosso país Natal e de toda a família. Acho que estes factos em comum acabaram por nos aproximar criando uma empatia mutua que tem feito crescer esta nossa recente mas forte amizade. É sobre esta distância, que na vida de uma mãe parece pesar ainda mais, que hoje vos irei escrever.

Em certo momento da minha vida eu achei que ela, a minha vida, começava a não fazer grande sentido, a não ter evolução, não ter um sonho pelo qual correr atrás, tudo parecia pequeno e insignificante. Foi assim que o desejo de ser mãe nasceu em mim e começou a fazer sentido, acabando por se tornar no meu sonho maior. Um sonho tão grande que me exigiu mudanças radicais, uma das mudanças foi trocar de país. Em 2009 Portugal não dava, a mim e ao meu companheiro, qualquer estabilidade nem condições para criar uma criança, quanto mais duas, porque quando eu sonho eu sonho grande. Quase a fazer os meus 35 anos, era agora ou nunca.

Inglaterra recebeu-nos com o essencial, um emprego que nos permitia viver bem, tornando o meu, agora nosso, sonho possível. Em 2011 nasceu a L. e em 2013 nasceu a C. Com a falta de família ou amigos por perto estes dois bebés, agora crianças, dependiam e dependem única e exclusivamente de mim e do pai delas, não há plano B. É assustador, é uma constante aventura e desafio mas é a nossa realidade e foi a única forma que encontrámos de realizar o nosso sonho maior, ser pais.

Se não tivesse mudado de país dificilmente teria uma L. e uma C. provávelmente nunca teria nem sido pensada. Inglaterra não me dá plano B mas o plano A permite que o pai trabalhe e ganhe o suficiente para que a mãe não precise de trabalhar (ou vice versa), pelo menos a tempo inteiro, oferecendo à mãe a disponibilidade necessária para dar apoio às suas crianças que afinal de contas são o futuro de um país. As minhas filhas não precisam que os avós as vão buscar à escola e fiquem com elas, muitas vezes até às 8 e 9 da noite, à espera dos seus pais. Não precisam que os pais façam malabarismo com os dias de férias que muitas vezes leva a que pais não possam tirar férias em simultâneo, etc. Aqui só temos plano A mas o plano A funciona bastante bem, não colocando a responsabilidade de criar crianças nas costas de pessoas já com idade para não terem horários rigorosos e sim viverem o seu merecido descanso.

foto da autoria da C.Loureiro

Porém tenho medo, muito medo, porque o plano A pode falhar, neste plano não há tempo nem hora certa para ficar doente, este plano não dá direito a erro ou omissão, este plano dá muito medo e cansaço, mas enquanto ele vai funcionando dá também um enorme prazer e realização, pessoal, profissional e familiar.

Há por aí muitas mães a viver noutro país ou cidade, longe de familiares e/ou amigos?

Por Cris Loureiro.

 

A Cris lançou o desafio para uma troca de posts  nos nossos blogs, no grupo Vidas quase Perfeitas, e eu fiquei logo inspirada e claro que aceitei de imediato. Passem pelo blog da Cris para verem a minha colaboração.

 

About Matilde Ferreira

Os U2 e os irlandeses… Beda 4#

Sarm West Studios, London, September 2014

A propósito desta noticia do jornal britanico The Guardian, em que falam que os irlandeses odeiam o Bono Vox,  lembrei-me de uma historia que uma colega irlandesa do meu Rui lhe contou e so vem subir ainda mais a consideração que eu tenho no Paul David Hewson aka Bono Vox. Ah e este artigo vem desmentir e explicar a noticia do jornal britanico.

Certo dia a professora, que era tipo uma freira,  da amiga irlandesa do Rui encontrou um individuo a vaguear na praia vestido de roupas simples e aspecto “vagabundo”. Convidou para ir tomar um cha, ao que este aceitou educadamente. Estiveram a conversa, mais numa da professora lhe passar um sermão e missa cantada e na hora em que esta lhe ia oferecer dinheiro, o sujeito revelou-se dizendo que nao precisava pois era o Bono Vox. Este agradeceu o lanche e a simpatia, despediu-se e foi a vida dele. 

E com isto este grande senhor subiu ainda mais na minha consideração.

Moral da historia: Nunca julguem alguém pelo aspecto. 😉

 

About Matilde Ferreira

Apanhei os meus chefes em flagrante!

Corria o ano de 2008, eu estava a experiência na minha ultima empresa em Portugal. Fazia de tudo desde trabalho de escritório a serviços na rua. Certo dia depois de fazer a minha maratona aos bancos e correios na Boavista, cheguei ao escritório em Gaia, meti as chaves a fechadura como de costume mas desta vez a porta nao abriu como normalmente. Que estranho! A minha reacao foi logo tentar ligar para o meu chefe que nao atendeu… mas eu ouvia o telemóvel dele a tocar do outro lado. Ate que passados 5 eternos minutos la vem ele todo esbaforido, vermelho que nem um pimento com o pedido mais esfarrapado de sempre “Matilde vai-me ao cafe comprar qualquer coisa para eu comer pois ainda nao almocei e a tua colega teve de ir resolver uns assuntos particulares e vai chegar mais tarde(a minha colega, e supervisora) ” (isto as 4h da tarde)… Eu fiquei parva a olhar para ele com cara de “quem e que este gajo quer enganar” Fui a remoer o caminho todo e a praguejar, como e obvio! O que eles queriam era ganhar tempo… Quando voltei, a gaja ja estava sentada na secretaria dela muito vermelha, e de sorrisinho amarelo disse que o chefe queria ter uma conversa comigo. Opsss queres ver que me vai despedir? Que nada, era so para dizer que me ia passar a contrato (ainda faltava dois meses para eu fazer seis meses). Tudo isto para me calar. Pois podiam ficar descansados pois nao sou de meter na vida dos outros. Acreditam que no tempo que la trabalhei eles continuaram a manter a relacao deles em segredo? Tudo porque ele continua casado pois nao convem divorciar-se para nao dar metade de tudo a esposa. Quanto a minha ex-coleguinha na altura ainda estava casa, tendo se divorciado no final desse ano alegando que o marido a maltratava verbalmente… ja viram bem o clima de hipocrisia a que eu tinha de me sujeitar? Pois quem precisa, tem de aguentar. Voces nao imaginam o alivio que foi para mim o meu ultimo dia. Parece que me tinha saido um peso de cima dos ombros. E a minha consciência sempre esteve limpa e leve.

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