Baby Food| Entrevista a nutricionista

Be Happy, Be Healthy, Gett Well Soon ūüôā

Estas sao as musicas que eu canto para o Lu durante as¬†refei√ß√Ķes para alem de ser uma forma de o entreter tambem e um meio de interagir com ele.

As pessoas teem de parar para pensar que os bebes sao mini-humanos ūüôā Eu pelo menos penso assim desde que o Lu estava na minha barriga, pois acreditem tudo o que nos comemos eles tambem ūüėõ ¬†Matilde e novidades?… Ainda me lembro da inglesa dizer que mal podia esperar para o que o filho pudesse comer s√≥lidos para lhe dar rice pudding…Ou entao da outra que aos seis meses come√ßou logo a dar omeletes a filha, sim leram bem, omeletes, aquela crian√ßa come√ßa cedo com o colesterol alto!

Os piores alimentos para bebes

Retirado de: http://brasil.babycenter.com/thread/37703/tabela-de-alimentos-que-prendem-e-soltam-o-intestino-e-que-provocam-gases#ixzz4e1X99jp0

Ja vos falei aqui¬†e aqui no BLW¬†e o que e certo e que cheguei a conclus√£o que para tudo tem de haver um meio termo; eu passo a explicar, ja as nossas maes diziam para nao brincarmos com a comida e para comermos a sopa toda para ficarmos mais fortes e saud√°veis e eu concordo com isto; o Lu come a sopa toda como tambem come sozinho ūüôā Aten√ß√£o a sopa sou eu que dou mas desde os seis meses que ele ja esta habituado a sentir a textura dos alimentos tambem.

http://www.dn.pt/sociedade/interior/nao-precisamos-de-dar-sopa-aos-bebes-8494067.html

Por muito que eu concorde com o que e dito no artigo da imagem acima, o meu menino nao consegue deixar de comer a sopinha dele, que e bem mais que uma sopa, e um pure de carne ou peixe com legumes bastante ricos, tais como: chuchu, batata doce, abobora, cherovia, courgette e broculos… ah e ainda leva massinhas ¬†ūüôā

Com uma boa dose de bom senso nos conseguimos ūüėČ Ah e ter uma vizinha portuguesa nutricionista no andar de cima tambem ajuda ūüôā E quem melhor que a pr√≥pria para nos esclarecer sobre este assunto?

A Dra. Barbara Martins e licenciada em Ciências de Nutrição pela Universidade do Porto e tem uma Pos-graduação em Nutrição Clínica pela Universidade de Lisboa.

  1. ¬†Concordas com a express√£o “de pequenino se torce o pepino” em rela√ß√£o a alimenta√ß√£o das crian√ßas?

R: A partir dos 5/6 meses de idade, √© iniciada a alimenta√ß√£o diversificada, na qual diversos alimentos s√£o introduzidos aos poucos ao beb√©. Desde os 5 meses at√© aos 5 anos de idade, o palato e h√°bitos alimentares que s√£o incutidos na crian√ßa ir√£o permanecer at√© √† idade adulta. Assim, √© fundamental incutir bons e saud√°veis h√°bitos alimentares, pois os mesmos ir√£o moldar os h√°bitos e sa√ļde do indiv√≠duo no futuro. Os h√°bitos alimentares devem ser ensinados logo desde cedo (aprender a usar a colher, a beber √°gua pelo copo e n√£o apenas a palhinha, que alimentos escolher para as diferentes refei√ß√Ķes ao longo do dia, etc.), tal como s√£o ensinados os h√°bitos de higiene (aprender a usar o pote, etc.). Assim, pode-se afirmar que, de facto, √© ‚Äúde pequenino que se torce o pepino‚ÄĚ.

Leitura complementar: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2531152/

  1. E o que achas do BLW (Baby Led Weaning)?

R: Estudos mostram vantagens e desvantagens em rela√ß√£o a esta abordagem √† alimenta√ß√£o do beb√©. Tendo em conta o aumento da obesidade infantil devida √† qualidade e quantidade de alimentos fornecidos √†s crian√ßas, e tendo em conta que muitos pais n√£o t√™m bem a no√ß√£o da quantidade de alimentos que um beb√© necessita efetivamente, permitir ao beb√© auto alimentar-se, poder√° ajudar os pais a aperceberem-se das quantidades de comida requerida pelo seu beb√©. Isto porque, os beb√©s sabem instintivamente quando est√£o saciados, pois n√£o est√£o constrangidos pelas regras sociais e culturais que influenciam a nossa perce√ß√£o da quantidade ‚Äúcerta‚ÄĚ de alimentos que devem constar de uma refei√ß√£o. Por outro lado, caso o beb√© esteja doente, este poder√° ter fases de falta de apetite. Nesta situa√ß√£o, poder√° ser necess√°rio uma supervis√£o mais cuidada e, eventualmente, de ajudar o beb√© a alimentar-se. Pessoalmente, creio que √© importante dar ao beb√© alguma independ√™ncia e autonomia no que toca √† sua refei√ß√£o. Ao alimentar-se sozinho, quer seja com as m√£os ou com a colher, o beb√© come√ßa a aprender a cor, o sabor, a textura e o cheiro dos alimentos, sendo fundamental para a sua aprendizagem e cria√ß√£o de bons h√°bitos alimentares. Assim, sou defensora do BLW, desde que feito com consci√™ncia e supervis√£o.

Leitura complementar: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3509508/

  1. Qual e a tua opinião em relação aos hábitos alimentares das pessoas na atualidade?

R: Atualmente, dada a estrutura da sociedade (na qual as mulheres passaram de donas de casa a trabalhadoras a tempo inteiro, tal como os maridos) e tamb√©m dada a oferta alimentar que encontramos nos supermercados locais em pa√≠ses de primeiro mundo, torna-se cada vez mais dif√≠cil de providenciar uma alimenta√ß√£o adequada nutricionalmente √†s nossas fam√≠lias. Alimentos ditos ‚Äúorg√Ęnicos‚ÄĚ e ‚Äúbiol√≥gicos‚ÄĚ que antigamente eram os √ļnicos que haviam nas pra√ßas e nos quintais dos nossos pais e av√≥s, foram substitu√≠dos por alimentos geneticamente modificados ou alimentos sujeitos a pesticidas ou antibi√≥ticos, que diminuem o seu valor nutricional. Juntando todos estes fatores leva a um decl√≠nio na qualidade e variedade de alimentos oferecidos, e ao empobrecimento dos h√°bitos alimentares de hoje.

Leitura complementar: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2935122/

  1. Que conselhos darias a uma pessoa que esta a pensar em iniciar uma reeducação alimentar?

R: Baby steps. Nada de mudan√ßas radicais, pois as mesmas nunca duram muito tempo. O importante √© fazer pequenas altera√ß√Ķes, que possam ser sustentadas ao longo do tempo e integr√°-las como parte normal do dia-a-dia, at√© ao ponto de as fazermos sem darmos por isso (tal como lavar os dentes de manh√£). Digamos que um indiv√≠duo tem no√ß√£o que um dos seus ‚Äúmales‚ÄĚ √© a sobremesa. Uma sugest√£o seria alterar a sobremesa (e n√£o suprimir, pelo menos n√£o inicialmente) para uma menos cal√≥rica. Ou trocar bebidas a√ßucaradas por vers√Ķes light ou zero. Assim, aos poucos, um indiv√≠duo introduz, sem grande custo (monet√°rio e de for√ßa de vontade), bons h√°bitos alimentares.

Leitura complementar: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-73312010000200007

  1. Qual e para ti a melhor opção: dietas ou alimentação equilibrada?

R: A palavra ‚ÄúDIETA‚ÄĚ significa Deve Incluir Equilibradamente Todos os Alimentos. Al√©m disso, a palavra ‚Äúdieta‚ÄĚ √© usada entre nutricionistas quando referem um tipo de alimenta√ß√£o espec√≠fica, como por exemplo, dieta vegetariana, ou dieta isenta em gl√ļten. Nesse sentido, as dietas devem ser seguidas apenas por aqueles que delas necessitam, como √© o caso de um doente cel√≠aco, ou diab√©tico. Outras dietas da moda, s√£o inven√ß√Ķes criadas para vender falsas esperan√ßas a quem as segue. Se realmente essas dietas funcionassem, a obesidade j√° teria sido eliminada, n√£o √© verdade? Uma alimenta√ß√£o equilibrada √© sempre a melhor op√ß√£o em caso de d√ļvida. Tudo com conta, peso e medida. No entanto, o que para uns √© equilibrado, poder√° n√£o ser para outros, pois n√£o somos todos iguais e todos temos as nossas necessidades nutricionais espec√≠ficas. Assim, aconselho que recorram √† ajuda de um especialista que vos possa ajudar a determinar as vossas necessidades e assim, ajudar a criar um plano alimentar personalizado.

  1. O que pensas destas “modas”: dieta paleo, alimenta√ß√£o vegetariana, alimenta√ß√£o vegan, gl√ļten free e lactose free (sim, por incr√≠vel que pare√ßa tenho visto pessoas que n√£o s√£o cel√≠acas a seguirem esta variante do gl√ļten free)?

R: Como referi na quest√£o anterior, algumas dessas dietas devem ser seguidas em caso de necessidade. Existem diversas patologias que exigem uma dieta especial, e nesse caso, a mesma deve ser aplicada. Quando n√£o existe necessidade, como √© o caso de indiv√≠duos que aderem a dietas livre em gl√ļten sem serem cel√≠acos, a op√ß√£o cabe aos mesmos, no entanto, n√£o √© recomendada a sua aplica√ß√£o. Relativamente √† alimenta√ß√£o vegetariana e vegan, n√£o existe nenhuma necessidade f√≠sica que requeira a mesma, apenas motiva√ß√Ķes religiosas e pessoais. A mudan√ßa para uma alimenta√ß√£o, desde que feita com consci√™ncia, poder√° ser uma forma eficiente de perda de peso, sem correr riscos de malnutri√ß√£o. Pessoalmente, n√£o sou a favor das dietas vegan, pois s√£o muito restritivas, n√£o s√≥ a n√≠vel nutricional, como a n√≠vel social. Apesar de indiv√≠duos vegans referirem que a mesma √© completa e saud√°vel, √© sempre necess√°rio complementar a alimenta√ß√£o com suplementos alimentares, que n√£o s√£o nada econ√≥micos. Se fosse realmente completa n√£o seriam necess√°rios os suplementos‚Ķ

Leitura complementar: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27211234

  1. Sou da opinião que para tudo tem de haver um meio termo, e alimentação não foge à regra, mas tenho me deparado com muitos extremismos na alimentação. Qual e a tua opinião sobre este assunto?

R: A regra de ouro na nutri√ß√£o √©: variar a alimenta√ß√£o o m√°ximo poss√≠vel. Uma alimenta√ß√£o equilibrada e variada √© o segredo para uma sa√ļde de ferro. Dietas extremistas apenas prejudicam o indiv√≠duo, podendo mesmo levar a desnutri√ß√£o grave. Al√©m disso, muitas vezes esses exageros e extremismos s√£o resultado de dist√ļrbios alimentares, como por exemplo a ortorexia. Para quem n√£o conhece o termo, a ortorexia √© um transtorno alimentar que surge quando o indiv√≠duo se torna obsessivo com aquilo que come, s√≥ se permitindo comer alimentos ‚Äúpuros‚ÄĚ e ‚Äúsaud√°veis‚ÄĚ, criando listas de alimentos ‚Äúpermitidos‚ÄĚ e ‚Äún√£o permitidos‚ÄĚ. Pessoalmente, estou de acordo que tudo tem um meio termo e que o bom senso deve ser rei.

Leitura complementar: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4340368/

Desde ja agradeço a Barbara pela sua disponibilidade em nos ter cedido esta entrevista.

Espero que voces tenham gostado e tenham ficado esclarecidos em relacao a este assunto.

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