Category Archives: Escrita Criativa

Storyteller Dices D’As Gavetas| O Telefone

Tenho uma relação complicada com o telefone. Foi o meu principal material de trabalho da ultima década. Talvez por ter falado tantas horas ao telefone agora não goste de o fazer. Prefiro escrever, enviar mensagens. Pelo menos fica tudo registado. Enquanto que por voz, é tudo momentâneo. Agora que me lembro, ja nos empregos quando queria que algo ficasse provado, preferia enviar um email. Assim não existiam margens para duvidas.

Mas dou por mim a ter saudades de falar ao telefone com os clientes. E acreditem que eu adorava conversar com eles. É um sentimento contraditório, eu sei. Mas tenho muitas saudades daquelas conversas. O simples gesto de pegar no telefone e animar o dia de outras pessoas não tem preço. Sentir que animamos o dia de outras pessoas é mesmo muito bom. Mesmo que, no meu caso so estivéssemos a vender aço inox ou ligas especiais, ou a prestar informações sobre fiscalização de gêneros alimentícios. 🙂

O mais incrível é quem vivemos numa era em que é raro usar a principal função do telefone: fazer chamadas. As vezes faz bem fazermos uma chamada. A minha mãe adora que eu lhe ligue e eu adoro falar com ela. A distancia pesa. Mas estes telefonemas ajudam bastante.

As vezes, apesar de estarmos rodeados de pessoas virtualmente, o que nos precisamos mesmo é de alguém que nos ligue a perguntar se estamos bem 🙂

Um simples telefonema pode salvar uma vida, quando pensarem em alguém liguem-lhe, vocês não imaginam o quanto esse gesto pode ajudar essa pessoa 😉 Este pensamento veio de encontro à campanha Setembro Amarelo – mês da prevenção contra o suicídio.

Falar faz bem, alivia a alma! Por muito que não gostemos de falar ao telefone 😉 Eu aprendi a deitar ca para fora aos meus 20 anos depois da minha depressão e foi a melhor coisa que fiz 🙂 Nem que seja para o papel 😉 Escrever alivia tanto 🙂

Imagem da minha autoria

E vocês, gostam de falar ao telefone? 🙂

Aproveitem o dia de hoje para ligarem a quem vocês acham que precisa 😉

About Matilde Ferreira

Junto ao mar…

Junto ao mar 

Sinto-me livre

Junto ao mar 

Sinto-me leve

Junto ao mar 

Deixo-me levar 

Nas asas do vento

Junto ao mar

A minha alma 

Fica calma

Junto ao mar 

Deixo-me levar

Pelo sabor da maré

Junto ao mar

Regenero-me

Imagem da minha autoria – Iman representativo de The Hollow of the Deep Sea Wave off Kanagawa do artista, da exibição Masters of Japanese prints: Hokusai and Hiroshige landscapes, no Museu de Bristol

*poema da minha autoria

About Matilde Ferreira

O Sol| Storyteller D’As Gavetas

O Sol. O Sol para alem de ser uma fonte de energia, é também uma fonte de inspiração. Gosto de dias de chuva, mas acordar com o sol a entrar pelas janelas dá logo um outro animo. Adoro o nascer-do-sol, assim como pores-do-sol. Vivi 30 anos numa casa virada a poente, e nos últimos anos tenho vivido em casa viradas a nascente. Confesso que adoro acordar com o sol a nascer. Gosto tanto de ver os raios de sol a entrarem pela casa logo pela manha. Ficamos logo cheios de boas energias. E de vitamina D.

Quando vou de carro ao final do dia, gosto de seguir o sol ate este se pôr. Vejo magia nisso. Faz-me sentir tao bem.

Gosto de saber que depois da chuva, o sol volta sempre. Isso dá-me esperanças. E gosto mais ainda de o fotografar.

Fiquem com algumas fotos da minha autoria.

E para vocês, o que representa o sol?

About Matilde Ferreira

A Refeição| Storyteller Dices D’As Gavetas

Comer para viver ou viver para comer? 🙂 Eu faço parte do primeiro grupo, gosto muito de comer mas com regra. Mas ca em casa tenho dois comilões hehe. Sim, os meus 2 amores adoram comer. Comer e dormir. São tambem muito dorminhocos. Afinal de contas são o melhor que se pode fazer na vida certo, hehe 😀

Mas nem sempre é fácil saber o que fazer para o almoço ou jantar, mesmo como ementas programadas e tanta inspiração. Falta sempre alguma coisa, já para não falar do pequenote, que apesar de estar sempre pronto para comer, hoje gosta de uma coisa e amanha ja gosta de outra. É normal, está na idade das descobertas. O Lu agora anda na fase dos hidratos, mas come bem a sopa. Ja gostou de pepino, agora prefere tomates. Adora maças, “apples” como diz ele, e vai muitas vezes buscar à fruteira, depois de ir buscar a sua cadeirinha para chegar ao balcão.

Agora entendo a minha mãe quando ela não sabia o que fazer para o almoço ou jantar. O meu pai não era grande ajuda pois so sabia pedir batatas com bacalhau. Ja eu era muito esquisita e quando perguntava à minha me o que vamos comer, ela respondia-me sempre, cheia de stress: ” tonescos” e eu ficava ate a hora da refeição a pensar o que seriam tonescos.

Imagens da minha autoria

Como podem ver o Lu adora almoedas do IKEA, com esta massa espaguete de furinhos, tomate, ervilhas com massinhas e miolo de camarão, coelho assado com arroz branco, lasagna vegetariana e… o happy meal do MacDonalds, muito esporadicamente 🙂 E claro, sobremesa boa como o belo do pastel de nata, e a apple a meio da manha. 🙂

O pequeno-almoço continua a ser a principal refeição do dia. Ja reparei que o Lu sai ao pai, acorda com pouco apetite mas a meio da manha desperta-lhe a fomeca.

Normalmente ao almoço opto por fazer refeições mais substanciais, tanto para mim como par ao Lu, simples mas reconfortantes. Ultimamente ao jantar o Lu come uma sopa de legumes com carne ou peixe, massas ou arroz, bem substancial, e eu opto por algo mais ligeiro.

Imagem da minha autoria – um dos meus almoços preferidos: batata doce assada com ovos estrelados e espinafres salteados
Imagem da minha autoria – dos meus jantares simples e ligeiros – salada de tomate, palitos de cenoura com humus de grão de bico e cebola caramelizada e falafels
Imagem da minha autoria – Tem dias em que me apetece panquecas mistas de queijo e fiambre regadas com mel e polvilhadas com açúcar em pó

O que acharam das nossas refeições? 🙂

Quais sao as vossas refeições preferidas? 😉

About Matilde Ferreira

O fantasma dos cogumelos| Storyteller dices

Andava eu perdida pela floresta, numa noite escura de trovoada, quando me deparei com uns olhos a brilhar no escuro, tremi, não sei se de medo ou de frio, mas o que é certo é que em vez de recuar, avancei. Deixei-me levar pela minha super-força interior e quando cheguei perto dos olhos, ouvi um miau. Era um gato preto, muito dócil, que desapareceu de repente. voltou a aparecer como por artes magicas, rondou-me, eu fiz-lhe festinhas e com a cauda fez com que eu o seguisse até a um sitio cheio de cogumelos mágicos. Eu estava tao cheia de fome que nao pensei duas vezes e comi um. Comecei logo a sentir-me maldisposta e a ter convulsões, ate cair para o lado. Os cogumelos não só eram alucinogénicos como eram venenosos. Voltei a mim, acordada pelas lambidelas do gato em cima de mim. Foi aí que reparei que ele era leve demais e as lambidelas não eram reais. O gato preto era um fantasma, por isso desaparecia e aparecia como por magia. Levantei-me com muito custo e segui o gato que me levou ate ao outro lado do arco-íris onde existia um castelo abandonado onde estava o antídoto dos cogumelos venenosos…

De repente, acordei com o meu filhote a dar-me beijinhos e um xi apertado 🙂

Imagem da minha autoria

I was lost in the woods on a dark night of thunderstorms , when I saw a pair of eyes gleaming in the dark. I trembled, I don’t know whether from fear or cold , but what is certain is that instead of retreating, I advanced. I got carried away by my inner strength and when I got close, I heard a meow. It was a very docile black cat that suddenly disappeared. it reappeared as if by magic, it prowled around me, I cuddled him and he made me follow him, pointing with its tail, to a place full of magical mushrooms. I was so hungry that I did not think twice and ate one. I began to feel ill-disposed and convulsed until I fell down. The mushrooms were not only hallucinogenic as they were poisonous . I came back to myself, awake by the cat’s licking on top of me. That’s when I noticed that he was too light, and the licks were not real. I followed the cat that took me to the other side of the rainbow where there was an abandoned castle where the antidote was …

Suddenly, I woke up with my little son giving me kisses and a tight hug 🙂

About Matilde Ferreira