Category Archives: Escrita Criativa

O Autocarro| 3. Tema StoryTeller Dices D’As Gavetas

Como não tenho carta, este meio de transporte sempre fui, quase, a minha segunda casa. Acho ate que passei grande parte da minha vida dentro das camionetas de carreira da minha terra como forma de me deslocar para os empregos. Tenho tantas historias para contar, seja pelo tempo interminável em que ficava à espera do autocarro, ou então porque eram tao velhas que avariavam a meio do caminho, pelas conversas com os motoristas com quem fiz amizade, alias um dos meus melhores amigos era motorista de autocarro. E o melhor de tudo é que aproveitava as longas horas que passava no autocarro para fazer das coisas que mais gosto na vida: LER. Sim, eu consigo ler em autocarros e comboios, só em aviões é que fica mais difícil, acho que deve ser por causa da turbulência.

Como disse tenho muitas memórias deste meio de transporte que acho que tudo começou na minha infância, quando me sentava no colo do meu avô nos degraus da mercearia da esquina a ver passar as camionetas. E esse bichinho passou para o meu mano mais novo que desde os 3 ou 4 anos que adora autocarros, ate ja quis ser motorista, mas parece que lhe passou esse desejo. Parece que o estou a ver sentado atras do motorista, a imitar as manobras com os brasidos levantados e a rodar. E o mais incrível é que o Lu faz o mesmo sem o mesmo sem nunca ter andado de autocarro, uma coisa que temos de fazer em breve. Sempre que vamos à rua, ele adora ver os famosos red buses (autocarros vermelhos londrinos) a passar quase que em fila indiana, e chegou mesmo a cumprimentar os motoristas.

Imagem da minha autoria – um dos famosos autocarros vermelhos britânicos na nossa rua

Este desafio foi criado pela Andreia do blog As Gavetas da Minha Casa Encantada. Podem saber mais detalhes aqui.

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O Cavaleiro e A Sereia| The Knight and The Mermaid

Hoje trago-vos mais uma historia criada com a inspiração dos Storyteller Dices. Espero que gostem 🙂

Estava uma noite muito fria, e o nosso cavaleiro estava exausto, até que avistou umas pegadas enormes e monstruosas no chão e decidiu segui-las. As pegadas levaram-no ate uma casa assombrada. La encontrou um velho feiticeiro que lhe mostrou que as pegadas nao era de um monstro, mas sim de um unicórnio gigante que o irá levar de regresso a casa mas antes teria a missão de salvar uma sereia que estava presa num rochedo numa praia ali perto.

Enquanto comia uma refeição que o feiticeiro lhe ofereceu, o cavaleiro perguntou: – Como irei fazer isso que me pede?

– Com a ajuda do poder da duplicação que te vou dar, poderes duplicar o que tu quiseres. – respondeu o feiticeiro.

O cavaleiro pensou numa forma em como este poder poderia salvar a sereia, e decidiu que quando la chegasse logo veria. Montou o unicórnio e rumou à praia onde se encontrava a sereia. Quando la chegou, avistou a sereia no rochedo, que ficava próximo da praia. Desceu do unicórnio, olhou para a cauda da sereia e disse: – E seu usasse o poder da duplicação para fazer uma cauda da sereia em mim para assim puder nadar ate ela? E se assim o disse, num passe de magia, estava a nadar em direção à sereia. Ao chegar ao pe dela, cortou as algas que prendiam a cauda da sereia com um punhal que trazia sempre consigo. A sereia mal se viu livre, deu um abraço ao cavaleiro e como forma de agradecimento convidou-o a visitar o seu castelo no fundo do mar. Ao chegar lá, foram recebidos pelo rei dos mares, pai da sereia, que ficou muito agradecido, perguntou ao cavaleiro o que ele queria com recompensa, ao que este respondeu: – Apaixonei-me pela sua por isso gostava de pedir a mão dela. O rei e a princesa-sereia ficaram emocionados e logo no dia seguinte houve uma festa de arromba para o casamento com convidados vindos de todos os cantos dos mares.

Imagem da minha autoria

It was a very cold night, and our knight was exhausted, until he saw some huge, monstrous footprints on the ground and decided to follow them. The footprints took him to a haunted house. He found an old wizard who showed him that the footprints were not of a monster, but of a giant unicorn that will take him back home but beforehand would have the mission to save a mermaid that was stuck on a cliff in a beach nearby.

While he ate a meal that the wizard offered him, the knight asked, “How will I do what you ask?”

– With the help of the power of duplication that I’ll give you, you can duplicate whatever you want. – replied the wizard.

The knight thought of a way in which this power could save the mermaid, and he decided he’d think about it when he got there. He mounted the unicorn and went to the beach where the mermaid was. When he arrived, he saw the mermaid on the cliff, which was near the beach. He came down from the unicorn, looked at the mermaid’s tail, and said, “And if I use the power of doubling to make a mermaid’s tail in me so I could swim to her?” And if he said that, and if by magic, he was swimming towards the mermaid. Upon reaching her hand, she cut the algae that held the mermaid’s tail with a dagger he always carried with him. The mermaid was barely free, gave a hug to the knight and as a form of gratitude invited him to visit her castle at the bottom of the sea. When they got there, they were greeted by the king of the seas, the father of the mermaid, who was very grateful. He asked the knight what he wanted with reward, and he replied: “I fell in love with your daughter so I would like to ask for her hand. The king and the mermaid princess were thrilled, and the next day there was a break-in party for the wedding with guests from every corner of the seas.

Moral da Historia: A Vida acaba sempre por te surpreender quando menos esperas.

Story lesson: Life always ends up surprising you when you least expect it.

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O Meu Avó e o seu Chapéu| 1. Desafio StorytellerDices D’As Gavetas

Quando era pequenina tinha o fascínio pelos chapéus do meu avô. mas nao podia tocar neles para não os estragar. Se calhar era por isso que me cativavam tanto, afinal o fruto proibido é o mais apetecido. Os chapéus do meu avô faziam lembrar o do Fernando Pessoa. E eu adorava ver o meu avô com o seu chapéu. Dava-lhe um ar importante. O meu avô era o meu herói. Com ele sentia-me segura e protegida. Talvez por ser muito alto e o chapéu ainda o fazia mais alto. Eu adorava passear com ele de mãos dadas. E gostava ainda mais quando me sentava com ele nos degraus da mercearia da esquina da rua de casa dele a ver passar as camionetas de carreira lá da terra. E volta e meia o meu avô punha o seu chapéu na minha cabeça e eu sentia-me muito feliz.

Imagem retirada da internet – Fernando Pessoa com o chapéu igual ao do meu avô

São estas memórias boas que fazem com que as saudades que eu tenho do meu avô que faleceu em 1999 com cancro de pele, com 79 anos.

Este foi o primeiro tema do desafio StorytellerDices criado pelo blog da Andreia Morais, As Gavetas da Minha Casa Encantada.

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