Escola em Casa

Microphones on mute, please (microfones no silencio, por favor) . esta foi a frase mais dita pela professora neste mês e meio de escola em casa.

Nao foi fácil, mas conseguimos muitos progressos. Para uma criança de 4 anos que so pensa em brincar, como é obvio, o Louis portou-se como um verdadeiro herói. após um mes e meio de muitos stresses e meltdowns, merecemos respirar de alivio e esta semana de mini-ferias é a nossa recompensa.

Uma coisa que nao percebo é que se nos conseguimos sobreviver a um mês e meio de “escola em casa” como é que vi tanta gente a queixar-se em Portugal ao fim de dois dias… e no me venha dizer que era porque não tinham condições, pois se têm condições para estar nas redes sociais, então também têm internet para aos filhos terem aulas.

Devemos agradecer por tudo o que temos e nao estar sempre com queixas… acho que quem mais se queixa é quem mais tem, e quem menos tem sujeita-se e desenrasca-se, como a mae do melhor amigo do Louis que falei neste post.

Imaginem como falei aqui se não tivéssemos internet como eu que cresci nos anos 80? Tínhamos de aprender com a ajuda da tele-escola (isso sim existia) e com a ajuda dos nossos pais.

Mas voltando ao assunto que nos trouxe aqui, o Louis tem feito mesmo muitos progressos gradualmente, ele tem o seu tempo para tudo como sempre teve. E isto deixa-me de muito orgulhosa dele, de coração cheio. Todo o nosso esforço e o da professora está a dar frutos. Ele adora os seus livros, ja escreve os títulos deles. Ja lê algumas palavras e frases curtas. Do que ele mais gosta é de números, de conta-los de trás para a frente e de frente para trás. Incrível como num mês e meio, ele evoluiu tanto. Dentro dos seus limites. 🙂 Como qualquer criança da idade dele, ele só pensa em brincar e estar em casa para ele significa estar no mundo dele o que faz com que ele pense que pode tudo… e essa é a parte mais complicada no meio disto tudo. Ele ja começa a compreender que não vai à escola por causa do vírus e que tem de usar mascara para se proteger mas nem sempre se lembra. Pois brincar é muito mais fácil. Ele adora ver os amiguinhos nas videochamadas adora interagir com eles e isso significa que tem saudades deles. Mas depois tem dias que diz que não quer voltar à escola por causa do vírus… Complicado não?

Bem mas o melhor é não dramatizar muito e desvalorizar um pouco, nao levar tudo tanto a peito e serio, para podermos aproveitar bem esta semana de descanso o melhor possível 🙂

Fiquem com as nossas memórias de um mês e meio de escola em casa em plena pandemia e confinamento 🙂 Se nos conseguimos, vocês também conseguem!!! 😉

Conjunto de imagens da minha autoria

About Matilde Ferreira

6 thoughts on “Escola em Casa

  1. Vera Benavente

    Uma amiga aqui acha difícil porque ambos têm de trabalhar full-time, ela tem 2 crianças a ter aulas, pequenas logo exige mais tempo e dedicação, uma delas com necessidades especiais, mas percebe perfeitamente e sabe que se tem de ser tem de ser e não é contra o fecho das escolas (apesar de ficar aliviada quando elas abrem ahahah)

    Todas as realidades são diferentes e os nossos limites também. Há pessoas mais propensas a ter depressão que outras e podemos pensar que nem têm assim uma vida tão difícil, mas lá está, somos todos diferentes, temos estruturas emocionais diferentes, também temos vidas diferentes (há chefes mais flexíveis que outros, há famílias em que só 1 dos pais trabalha, há famílias monoparentais, etc).

    Por acaso reparei no insta que ele já escreve super bem! É espantoso mesmo e estás de parabéns porque de certeza tem muito investimento e emepnho da tua parte!

    1. Matilde Post author

      Eu sei muito bem que não está fácil para ninguém, mas caramba eu gostava que as pessoas em vez de se queixarem, agradecessem mais, porque de certeza têm mais coisas para agradecer do que de se queixarem… e quando agradecemos as coisas passam a correr um pouco melhor. Tambem eu tive de por muita coisa de parte para dar atenção ao meu filho e mesmo assim as vezes sinto que nao fiz o suficiente, coisas da cabeça das maes, nao e verdade? Mas na maioria dos dias vou para a cama com o coração cheio 🙂
      Eu tenho a perfeita noção de que apesar dos meus problemas de saude, sou uma privilegiada e sou grata todos os dias da minha vida por isso!
      Eu sou muito propensa a ter depressões mas jurei a mim mesma desde que me curei da que tive em 99 de que enquanto for viva vou fazer de tudo para ela nao me voltar a apanhar… Que a minha força de vontade esteja sempre comigo!

      1. Vera Benavente

        Eu acho que tens o pensamento certo mas não somos todos iguais e há quem não consiga ver o copo meio cheio e só o veja meio vazio…
        É como em tudo, e depois há dias mais difíceis que os outros, há pessoas mais pragmáticas que outras…
        Os nossos problemas só o são por causa das expectativas e de algumas circunstâncias… Há problemas maiores, caramba claro que sim! Mas eu estou bastante feliz por a Bia não estar em idade escolar porque ambos temos de trabalhar full-time, mais dar aulas sei que seria não impossível mas muito desafiador e prefiro que não seja necessário. Se for, será e darei o meu melhor mas também sei de muita gente que foi despedida porque tinha os filhos em casa e o rendimento diminuiu ligeiramente…

  2. Andreia Morais

    Era importante que as pessoas fossem mais gratas e aprendessem a olhar para as coisas de outra perspetiva. No entanto, a verdade é que ter aulas em casa é bastante desafiante, sobretudo, se os pais estiverem em teletrabalho e não puderem dar o acompanhamento necessário. Além disso, há estímulos que são despertados pelo facto de estarem tanto tempo ao computador. Já para não falar que se está sempre sujeito a condicionantes técnicas. Dou apoio num centro de estudos e chego ao final do dia saturada, portanto, compreendo essas queixas.
    Uma vez que somos todos diferentes, também é natural que esta realidade seja sentida de formas muito distintas.

    Está a fazer progressos inspiradores e é maravilhoso vê-los crescer assim *-*

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