Sem palavras…

Cresci nos anos 80 e 90 com muito pouco. Não tínhamos agua quente em casa, tínhamos de aquecer no fogo a lenha. O meu pai sempre ganhou o ordenado mínimo. A minha mãe fazia tapetes de arraiolos e limpezas em casas de senhoras sem ter direito a descontos, era paga à hora, a partir dos 500 escudos, so mais tarde passou a ganhar 1000. Os meus pais dentro das suas possibilidades sempre fizeram para não nos faltar nada, sem luxos.

Em pleno século XXI, na era da tecnologia, é inadmissível que os miúdos não tenham internet nem computador em casa.

O governo ingles prometeu laptops para todas as crianças desde Março do ano passado, quando começou o lockdown. O Louis tem amiguinhos que ainda estao à desses computadores. O que lhes vale é o desenrasque dos pais, para que estes possam assistir as aulas online. O melhor amigo usa o telemóvel partido da mãe para ouvir as videochamadas e o laptop para ver. Felizmente nós temos muita sorte e damos graças por tudo o que temos mas temos perfeita consciência de que existem pessoas que não têm a mesma sorte que nos. E acreditem, que penso muito nelas e em formas de as poder ajudar dentro das nossas possibilidades.

Isto a proposito do adiamento das aulas online em Portugal para o dia 8 de Fevereiro. Ferias antecipadas? E entretanto, os pais dão em malucos porque os miúdos nem aprendem nem têm o que fazer, certo? E quando chegar à altura devida das Ferias da Páscoa e Verão, acham mesmo que os miúdos vão querer ir para a escola? Acham mesmo que se ja nao houver confinamento os pais vao deixar de ir de ferias de Verão por causa de os filhos irem para a escola? So eu acho esta ideia descabida?

Volto a frisar em pleno século XXI muito pouca gente não tem internet e computador ou telemóvel. O que eu mais vejo são putos com telemóveis, tanto aqui como em Portugal. Também sei que em Portugal existe muito boa gente que prefere gastar em tabaco ou em cerveja, ou na Sporttv do que ter bens essenciais para os filhos… 🙁 É triste mas é verdade. Não estou a dizer que não hajam excepções à regra, infelizmente existem, mas acreditem que são poucas. Infelizmente existem pessoas para tudo… 🙁

E por este andar…

Imagem retirada do instagram

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5 thoughts on “Sem palavras…

  1. Vera Benavente

    Não acho que seja por menos 2 semanas em 3 meses de férias de verão que vá acabar o mundo… Os pais não tiram 3 meses de férias, porque nem sequer as têm (caso ambos trabalhem, uma realidade muito comum), logo não se deixará de ir a lado algum nas férias de verão.
    Esta foi a forma que o governo encontrou para ver se abrir as escolas funcionava sem prejudicar a saúde dos demais, só que as pessoas não se portaram nada bem, então decidiram fazer uma pausa, sem sobrecarregar pais que têm de trabalhar em casa, onde lhes é exigido o mesmo rendimento de estar a trabalhar full-time e ainda dar apoio às aulas dos filhos. Como perceberam que abrir as escolas iria levar ao mesmo mau comportamento do início de Janeiro (pessoas na rua e nos cafés e a socializar como se estivesse tudo bem, mesmo com mais de 200 mortes diárias) decidiram que era mais sensato recomeçar as aulas aon-line.
    Acho que eles tentaram ver a melhor opção para todos, pais e alunos, quando se tenta agradar todos vai-se sempre desagradar alguém mas realmente não acho que seja o fim do mundo terem menos uns dias de férias na páscoa ou menos umas semanas no Verão…

    1. Matilde Post author

      Deixo apenas uma pergunta: se houve condições no primeiro confinamento para se fazerem aulas on-line porquê é que não fizeram o mesmo agora? Expliquem-me como se eu fosse uma criança da idade do meu filho, por favor.
      E digo mais quando se quer muito uma coisa, faz-se quer se tenha muitos ou pouco recursos!
      Conheço pessoas com muito poucos recursos que não deixam que lhes falte nada aos filhos, assim como os meus fizeram connosco!!!

      1. Vera Benavente

        Os professores estão preocupados porque os alunos que vêm de famílias com poucas condições estão a ficar ainda mais para trás. As depressões e burn outs aumentaram imenso nos adultos e nas crianças por diversos motivos mas o ensino à distância foi um grande factor.
        Temos de viver com a realidade que existe que não é só a nossa ou de pessoas que conhecemos. Há muitos pais que não querem saber e quem sai a perder são os miúdos, há pais que se calhar até podiam fazer melhor mas não estão a conseguir ver como, porque não somos todos iguais e se têm de escolher entre colocar comida na mesa/pagar a renda ou ter internet por exemplo… As discrepâncias vão aumentar, quem tinha dificuldades na escola vai ficar com um gap ainda maior.
        Eu acho que o governo quis tentar algo diferente por causa das consequências do primeiro confinamento, perceberam que não dava, que não me surpreende, mas tentaram. Tentaram minimizar o impacto nas famílias, pode não ter sido bem sucedido mas acho que foi com boa intenção…

  2. Matilde Post author

    Se leste o que eu escrevi, verás que eu conheço bem a realidade de viver com pouco!!! E volto a dizer, quando se quer muito uma coisa fazemos tudo por tudo para ela acontecer, mesmo com poucos recursos como foi o caso dos meus pais!!!
    Boa semana!!!

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